A “ontologia” do Rei – Pobres e o Reino

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“O capitalismo deve ser visto como uma religião, isto é, essencialmente a serviço da resolução das mesmas preocupações a que outrora as assim chamadas religiões quiseram oferecer resposta.. A demonstração da estrutura religiosa do capitalismo, que não é só uma formação condicionada pela religião, como pensou Weber, mas um fenômeno essencialmente religioso, nos levaria ainda hoje a desviar para uma polêmica generalizada e desmedida… o capitalismo é uma religião puramente cultual, talvez até a mais extremada que já existiu… No capitalismo como religião, a religião não é mais a reforma do ser, mas seu esfacelamento”

Walter Benjamim – O capitalismo como religião.

Sem querer aqui fazer uma apologia ao socialismo, me atenho única e exclusivamente a análise intrínseca e acertada de Benjamim, tal aspecto já pode ser visto na critica de Jesus no sermão do monte (sem me preocupar aqui em cometer o pecado do anacronismo). Cristo de forma enérgica condena o dinheiro como Mamon (deus – ou o deus deste século).

A nação de Israel outrora idolatra fora purificada deste “pecado” no exílio, no entanto, este ídolo sútil e sorrateiro permanecia dentre eles, a sede do consumo, da posse, do fetiche ao ter, para isto valia tudo, largar o cuidado das viúvas, dos órfãos e transformar Mamon em Corbã, presente no Levítico como qualquer coisa levada ao Senhor. Na presente era o Senhor prefere ser visto nos pobres e nos pequeninos, transformo assim o amor cristão em mera filantropia? Não, mil vezes não – Isto é a teomorfização do homem – encontrar Deus na face do outro, e face a face viver a práxis Cristã; este sim é o verdadeiro corbã viver em oferta e ser uma oferta ao outro.

Tal prática é totalmente contraria ao afeto do capital. Corro aqui o risco de estar fazendo uma leitura sociológica marxista da religião? Não, não o vejo assim, Marx pode nos ajudar o “ver”, mas o agir vem da vivência do Reino de Deus, é “trazer” o vindouro para o agora, é dizer é – chegado o Reino.

Quanto a isto não há poder para tal, nem em Marx, Benjamim, ou Gramsci, mas tão somente n’aqueles que vivem dia após dia com uma sede insaciável de Justiça, tal só poderá ser saciada quando ouvirmos dele; vinde benditos de meu Pai para o Reino que vos está preparado para vós desde a fundação do mundo.

O apostolo também condena este principio ao dizer que amor ao dinheiro é raiz de todos os males, se faz urgente que a igreja a partir dos valores do Reino “reveja” e “haja” de forma profética diante deste ídolo moderno. Não estamos aqui diante de Marx, Gramsci ou qualquer critico do capitalismo, a partir da concepção concepção hermenêutica marxiana/marxista do capitalismo, podemos ver estas criticas em Weber, Durkheim, Polanyi dentre outros, porém somente nele Cristo a cura, pois nele fomos crucificados para este sistema.

Se quisermos atitude, a única possível não está em Marx, Gramsci, Mises, Hayek, mas no chicote do Reino para espantar os vendilhoẽs do grande templo. Há uma saída para tudo isto, e ela se chama “Reino dos céus” – no hoje ela se atém em olhar para as coisas não como elas são, mas como deveriam ser (manifestação plena e física do Reino vindouro), a partir desta contemplação do horizonte do Reino trazê-lo para hoje, ele começará quando a igreja perder os holofotes e ter como seu teto as estrelas, quando ela estiver presente em cada esquina, orando – Venha teu reino. Proclamando – É chegado a vós o Reino dos céus. Isto é olhar para o horizonte utópico, porque vemos nele os pequeninos, os pobres, os leprosos, os coletores de impostos, a mulher abandonada, o pequeno que gasta seu dia caminhando em busca de água para a família, na face daqueles que trabalham como escravas para os grandes latifundiários que têm em suas mãos poderes e bancadas, bancadas e desbancadas.

O Rei condena a ganância de querermos um lugar ao seu lado trono, a sua direita ou esquerda, o seu trono se encontra hoje no coração dos pequeninos, e é neles que quero morada.

Pode chamar de TMI ou qualquer adjetivo que queiram dar – Eu o chamo de Reino dos céus.

Para finalizar:

“Vós, porém, se acreditais em mim, escancarai todas as portas dos depósitos, com toda a liberdade permiti a saída da riqueza. Como um grande rio fecundo, percorrendo a terra por milhares de canais, assim vós, dividindo a fortuna em diversos caminhos para a casa dos pobres”

São Basílio Magno – Homilia in illud Lucae

Não é uma ontologização do pobre, mas do Reino.

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