Religião e exibição!

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Esta é a imagem de um antigo teatro grego. Jesus quando chama a atenção de seus discípulos no Sermão do Monte, tinha em mente justamente esta situação vivencial. Jerusalém e grandes outros centros comerciais tinham seus teatros gregos.

Jesus tinha um dom excepcional de tomar das coisas simples do dia vesti-las com os valores do Reino e assim transmitir com uma simplicidade sui generis seus ensinamentos, usava com maestria também do método rabínico ultrapassando-o.

Em Mateus 23 a cena se passa a poucos quilômetros de Séfforis (Σεπφώρις); ao chamar os fariseus de hipócritas (ὑποκριτής) com certeza esta imagem estava viva e causava de certa forma a “ira” dos mesmos (fariseus); já que os Romanos que estavam então no poder haviam herdado com maestria os melhores costumes gregos, viver debaixo do controle Romano sem direito a sua “teocracia” era uma afronta a menta judaica. O ponto focal do discurso de Jesus no Sermão era para que fugíssemos da religião do espetáculo, vivida como exibição para os outros. Com os Fariseus era uma constatação que a religião que viviam era de mera aparência de espetáculo, vários vocábulos gregos usados ali era advindos das práticas teatrais. Lá era para que fugíssemos, aqui é que a menor da atividade religiosa vivida assim só atrai o juízo d’aquele que tem os olhos como chamas de fogo, não que estas coisas em si tenham valor, mas a motivação sim.

É bem verdade que a verdadeira vida cristã é vivida em face do outro e para o outro, não como exibição, mas uma manifestação real da vida de Cristo, o amor de Deus se manifesta no amor aos irmãos, assim dizia João “Se alguém se vangloria, dizendo: ‘eu amo a Deus’ mas ‘odeia’ e despreza seu irmão, é mentiroso. Se não ama a pessoa a quem vê, como pode amar a Deus a quem não vê?… amar a Deus se vê na prática de amar ao próximo.” I Jo 4,20-21. Quem sabe não foi a partir de algumas meditações na recusa do Jovem rico nasce esta exortação do ancião de Éfeso? Jesus em sua admoestação ao jovem (Lc 18, 18-23) que queria herdar a vida eterna, expõe diante dele os mandamentos que se referem ao nosso convívio com o outro. O sacrifício que o jovem estava disposto quem sabe era só de “exibição” de uma coisa se sabe saiu tomado de tristeza, enquanto os atores de hoje, sentem-se felizes com os aplausos da multidão, viciados em meras representações “incapazes” de se entristecer.

Não toque n’aquilo, não prove aqueloutro pode ter aparência de piedade negando-lhe, entretanto o poder.

“Quando fizerem o bem, tenha cuidado para que seu gesto não vire peça de teatro. Pode ser um bom espetáculo, mas Deus não vai aplaudir. Quando for ajudar alguém, não chame a atenção para si mesmo. Você já viu gente assim em ação – e os chamo de “atores”. Eles vão orar nas esquinas, como se elas fossem palcos, atuando para o público, interpretando para as multidões. Eles recebem aplausos sim, mas é tudo que conseguirão… Ele (Deus) age nos bastidores…” Mt 6, 2-4 (Bíblia A Mensagem)

A vida de aparência o Mestre chamava de sepulcros caiados… Duro é este discurso!

E só mais um detalhe os teatros gregos eram insuperáveis em termos de acústica. Quem ler entenda!

Willian Pereira

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