A Universal e a crise! Crise de caráter.

Em vídeo, bispo da Universal ensina a arrecadar na crise Vídeo entregue ao Ministério Público de São Paulo por um ex-voluntário da Igreja Universal mostra bispos da cúpula da entidade combinando a pregação para obter dízimos dos fiéis na crise econômica de 2008. A reportagem é de Rubens Valente e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 13-04-2010. As gravações obtidas pela Folha, que oferecem rara visão sobre práticas da igreja, são de duas reuniões feitas por videoconferência entre líderes na sede, em São Paulo, e outros nos Estados. Foram coordenadas pelo bispo Romualdo Panceiro. Ele é considerado o segundo nome mais importante na igreja e foi apontado pelo bispo Edir Macedo como o seu sucessor. Romualdo, que coordenou a igreja no Brasil por mais de 12 anos, hoje vive em Buenos Aires e é responsável pela instituição na América Latina. Um dos vídeos começa com Romualdo tirando uma espada da cintura e colocando-a sobre uma mesa. Durante 15 minutos, ele aparece orientando outros bispos graduados da igreja, como Clodomir Santos, a recorrerem a trechos da Bíblia nos quais se narra que o personagem Isaac, para escapar de uma grande fome, recebeu orientação divina para semear no solo ruim, e foi agraciado. Romualdo orienta que “semear” é dar dinheiro à igreja. Ele diz que a igreja deveria perguntar aos fiéis se eles “acreditam mais” na crise ou em Deus. “Por isso que a gente tem que perguntar [ao fiel]: “Você crê mais na crise ou você crê em Deus? Porque se você crê na crise, então você vai guardar para ela, ela vai pegar o que você tem. Sem que você saiba, quando você acordar, já era. Mas se você crê em Deus, você vai pegar o que a crise pode pegar e você vai colocar onde? […] Vai semear no altar!”, diz. Romualdo indaga se Clodomir compreendeu: “É ou não é, Clodomir? Entendeu? […] Não é legal isso?”. Clodomir concorda: “Arrebenta. Tá ligado”. Em seguida, o bispo diz que a ideia deve ser disseminada entre os pregadores: “Quer dizer, mais semente você vai ter, e quanto mais você tem semente, mais você vai colher. Pô, é muito forte, não é? Então, a gente tem que virar o jogo. Passar esse espírito para os pastores agora, como eu já passei”. Ele se dirige ao bispo Sidney Marques, de Belo Horizonte: “Vai arrebentar, é muito forte! Hein, ô, Sidney?” “É o melhor investimento. O melhor investimento é esse”, responde Sidney. “Momento propício para o uso da fé”, arremata Romualdo. O bispo diz que “combinou” com os pastores regionais de abrir três Bíblias, durante a oração do domingo, para “desafiar” as pessoas a trazerem dinheiro. “Eu combinei com os regionais aqui o seguinte, malandro. No domingo [esfrega as mãos], falar assim: “Olha, pessoal, em nome de Jesus, você que vai agora semear em cima dessa palavra aqui, com [R$] 10 mil para cima, vem aqui na frente, coloca, muito bem. Com [R$] 1.000 para cima, vem aqui pra frente. Com [R$] 500 para cima, vem aqui na frente, com [R$] 100 para cima, com dez reais para cima, com uma moeda para cima, coloca aqui”. Porque aí a gente não está, como se diz, estipulando. Porque foi na hora da oferta, um desafio.” Vídeo de outra reunião indica que membros da igreja procuraram se aproximar de criminosos para evitar assaltos a carros-fortes que transportam dinheiro doado por fiéis. Romualdo conta que um carro-forte com R$ 52 mil arrecadados pela igreja havia sido assaltado na Grande São Paulo. Ele atribui a autoria do crime a policiais e diz que pastores e bispos deveriam fazer contato com a criminalidade. “Nosso problema não é bandido, o nosso problema é polícia. Você não pode falar isso para ninguém. […] A não ser que, no Brasil, vocês não tenham feito o que nós fizemos aqui com os chefes da comunidade, de bandidos etc etc. Eu já falei para vocês fazerem. Não falei, Sidney? […] Todos já devem ter feito.” Os vídeos foram entregues ao Ministério Público pelo ex-voluntário da Universal e ourives Eduardo Cândido da Silva. Os promotores Everton Luiz Zanella, Fernanda Narezi, Luiz Henrique Cardoso Dal Poz e Roberto Porto denunciaram, em agosto passado, Edir Macedo e mais nove membros da igreja sob acusação de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. A denúncia foi acolhida pelo juiz Glaucio Roberto Brittes, da 9ª Vara Criminal, o que deu origem a ação penal. Segundo os promotores, recursos obtidos pela igreja de fiéis eram enviados ao exterior por meio de empresas de fachada e retornavam ao Brasil com aparência legal, para a compra de emissores de rádio e TV. Os promotores também pediram à Justiça dos Estados Unidos, por meio um acordo de cooperação bilateral, a quebra de sigilo das contas bancárias utilizadas pela igreja e por empresas a ela relacionadas. O ourives Silva obteve os CDs de um ex-pastor regional que hoje atua em outra igreja. A Folha conversou com o pastor que tinha as gravações. Ele pediu para não ter o nome publicado, mas confirmou a história. O ourives move uma ação para o ressarcimento de R$ 232 mil referentes a supostos cheques sem fundos passados por pastores pela venda de joias.

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