Salão do livro – Serraria Souza Pinto BH

Este fim de semana minha família e eu fizemos um happy hour diferente; em minha casa somos todos amantes da leitura. Através dela entramos e adentramos para um novo mundo, levando-nos assim a compreender melhor o mundo nosso. Ao invés de cultuar a Deus em nossa comunidade de fé, fomos cultua-lo em meio ao povo; sim em meio ao povo… Era neste meio que o Mestre de Nazaré se sentia à vontade, falava da vida em parábolas, onde se fazia um com os famintos, não com os famintos de pão; os famintos pela vida; por uma nova compreensão de Deus, uma releitura mais humana de si mesmo, um Deus mais próximo deles… Não o deus manufaturado de Escribas e Fariseus. E quando ele entrou certa vez onde Ele deveria ser cultuado encontrou uma casa de negócios, eu posso imaginar como o seu coração se encheu de uma ira zelosa, pois afinal o nome d’Aquele a quem amava estava sendo blasfemado…

Em nossa adoração diária, ficamos muitas vezes a cata de palavras que exprimam não só os nossos sentimentos com relação a ele, como também buscamos palavras para de alguma forma descrever o inefável… É em nossas palavras grafadas em papel que a transferimos a apreensão da alma…

Fomos até o salão do Livro em Belo Horizonte, onde as palavras se encontram, dançam, pululam e encontram seu destino… Nada mais sugestivo a PALAVRA, João começa seu Evangelho… “No principio era o Verbo… e o Verbo se tornou carne”. O Lógos ( Ό Λογός ), é por isto que as palavras me fascinam… De alguma forma elas me aproximam de meu Mestre. Contemplo não só nas palavras das Sagradas Escrituras; não quero com isto colocar em pé de igualdade com os outros escritos o Escrito… Me entendam bem (a mentalidade protestante tem mania de caçar chifres em cabeça de cavalo, se não entendo ou está aquém da minha vã ortodoxia é heresia, nada mais triste). Mas sim demonstrar que todos de alguma forma ou de outra estamos nesta busca… Mesmo o mais emperdenido dos ateus quando se põe a discutir “Deus”, demonstram que estão em busca de algo que ainda não lhe foi apresentado, na analogia de Feuerbach “O deus que eles combatem é uma caricatura do sagrado, um deus criado à semelhança do homem”, um deus por demais antropológico, aquém do Deus revelado na palestina, o Homem-Deus…

Foi muito bom ver crianças em busca deste mundo de fantasia; o mundo das palavras, as palavras e seu mundo. Muito embora a feira poderia ser melhor, ainda assim é atrativa, desta forma conseguimos tornar a leitura um pouco mais democrática e fazendo parte do dia a dia do nosso povo.

Quem sabe no ano que vem, ela ganha novos ares. E assim incendiar Belo Horizonte e o povo aprenda mais um pouco mais o valor da Palavra.

Só lamento uma coisa: Não ter estado lá no dia em que dois ícones da nossa poesia se reuniram; Rubem Alves e Adélia Prado. Imagino que fez um grande bem para a Alma de quem esteve presente.

Belo Horizonte;

Inverno de 2007.

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